O cartão de carimbos
custa mais do que parece.
Um kit com carimbo e cem cartões custa 33,95 €, e parece que o programa de fidelização fica montado por trinta e quatro euros. Fica — durante os primeiros cem cartões. O carimbo compra-se uma vez; os cartões compram-se sempre. Aqui está a conta inteira, com preços de setembro de 2026.
De onde vem quem escreve isto: faço a versão digital do cartão de carimbos, e é grátis. Digo-o na primeira dobra em vez de o deixar para o fim — lê o resto a contar com isso. A página serve na mesma: os preços do papel são os preços do papel, a aritmética confere-se com uma calculadora, e há quatro casos em que o papel ganha. Estão todos mais abaixo, escritos por mim.
Dez casas e uma promessa.
O cartão de carimbos é a coisa mais simples que existe em fidelização: um cartão do tamanho de um cartão de visita, com dez ou doze casas, um carimbo de tinta por cada compra e um prémio quando encher. Não tem conta, não tem instalação, não tem letra pequena. É por isso que sobreviveu a tudo o que apareceu para o substituir.
Funciona por três razões, e nenhuma delas é o prémio.
O cartão começado não se deita fora
Um cartão vazio é um papel. Um cartão com três casas carimbadas é uma coisa em que já se investiu — e as pessoas não abandonam a meio aquilo em que já puseram alguma coisa. É por isso que muita gente dá o primeiro carimbo no momento em que entrega o cartão, em vez de o entregar em branco. Não tenho estudo português para te citar sobre isto, e por isso não to cito: experimenta durante um mês e olha para a caixa.
O objectivo tem de estar à vista
Dez casas lêem-se de relance: sabes onde estás sem contar. Um cartão de trinta casas parece uma dívida e fica na gaveta. Um de cinco chega ao fim antes de a visita virar hábito — dás o prémio a quem já lá ia de qualquer maneira.
Anda na carteira
Esta é a menos bonita das três e provavelmente a mais forte: o cartão fica entre o cartão de cidadão e o multibanco, e vê-se todos os dias. É publicidade que o cliente transporta de graça, ao lado das coisas que mais usa.
Como se faz um, a sério.
Isto não sai de estudo nenhum: é o que qualquer gráfica te diz ao balcão, posto por ordem e sem as partes que ela não tem interesse em dizer.
O carimbo
Há dois tipos. O automático traz a almofada por dentro e carimba com uma mão; o de madeira precisa de almofada à parte e de duas mãos. O automático é mais caro e é o que morre primeiro — a almofada gasta-se e substitui-se. Com fila ao balcão, vale o dinheiro.
O desenho tem de ler a quinze milímetros. Um logótipo com letras finas sai uma mancha; uma forma cheia — uma chávena, uma tesoura, uma bola de gelado — lê-se sempre. E tinta preta ou muito escura: tinta clara sobre cartão creme dá sempre a mesma discussão ao balcão, que é «isto está carimbado ou não está?».
Os cartões
Tamanho de cartão de visita, cerca de 85 × 55 mm. Tudo o que for maior dobra-se, e um cartão dobrado é um cartão a caminho do lixo. Gramagem de cartão de visita normal — as gráficas dão 300 g/m² por omissão, e mais fino do que isso amarrota na carteira em duas semanas.
Verso mate e não brilhante: a tinta do carimbo escorrega no acabamento brilhante e borra. E imprime só três coisas — o nome, o prémio escrito à letra («ao 10.º café, o 11.º é grátis») e o número de casas. Mais nada cabe, e mais nada é lido.
Quantos mandar imprimir
A tentação é mandar mil, porque o preço por cartão desce muito com a tiragem. É o erro caro desta lista. Mandar mil cartões é comprometeres-te com este prémio, este preço e este logótipo durante anos — e basta subires o café dez cêntimos para o texto do cartão ficar errado.
Manda os que gastas em três ou quatro meses. Quantos são, é a conta da secção seguinte — e é mais do que estás a pensar.
Quanto custa mesmo.
Preços públicos de tabela em lojas portuguesas, consultados em setembro de 2026, para as quantidades pequenas que um café compra de facto. Se estiveres a ler isto daqui a um ano, vai confirmá-los antes de te fiares neles.
| O que se compra | Preço público, setembro de 2026 |
|---|---|
| Carimbo sozinho — VistaPrint PT, «Carimbos para cartões de fidelização» | 13,49 € |
| Carimbo sozinho — 360imprimir, «Carimbo Fidelização», conforme o modelo | 12,53 € a 53,49 € |
| Kit: carimbo automático + 100 cartões — Manuela Impressões, «Kit Completo de Fidelização» | 33,95 € |
É este o número que toda a gente vê, e é honesto: por trinta e quatro euros tens o programa de fidelização a funcionar amanhã de manhã. Durante cem cartões.
Os cartões não são um custo de arranque. São um consumível.
Cem cartões parecem cem clientes. Não são. São cem cartões — e um cliente habitual gasta vários por ano, sozinho. Faz a conta com um de cada vez, num cartão de dez casas.
- Quem aparece uma vez por semana enche um cartão em dez semanas. São cinco cartões por ano, ele sozinho.
- Quem aparece duas vezes por semana enche um em cinco semanas. São dez por ano.
Agora põe quarenta habituais, metade de cada: 20 × 10 + 20 × 5 = 300 cartões por ano. Não quarenta. Trezentos. E isto sem contar um único cartão perdido, molhado ou esquecido em casa.
Quanto custam esses trezentos
Aqui tenho de ser claro sobre o que sei e o que não sei. Não tenho um preço de tabela para cem cartões vendidos sozinhos: as gráficas fazem isso por orçamento e o valor muda com a tiragem. O que tenho é uma ordem de grandeza, e digo-te exactamente como a tirei — o kit com carimbo e cem cartões custa 33,95 €; o carimbo sozinho, noutra loja, custa 13,49 €. A diferença, cerca de vinte euros, é aproximadamente o que valem os cem cartões. Dá uns vinte cêntimos por cartão.
Isto não é o preço de ninguém. É uma conta feita entre dois artigos de duas lojas diferentes, e serve só para teres um número enquanto não pedes orçamento à tua gráfica. Quando pedires, mete o teu e refaz a tabela — ela não muda de forma, só de valores.
| Ano | O que compras | Quanto |
|---|---|---|
| 1 | Kit (carimbo + 100 cartões) e mais 200 cartões | 33,95 € + cerca de 40 € ≈ 74 € |
| 2 | 300 cartões | cerca de 60 € |
| 3 | 300 cartões | cerca de 60 € |
| Três anos | cerca de 194 € |
Mais as almofadas de tinta, que secam e se substituem. Para essas não encontrei preço público que valha a pena citar-te, por isso não está na tabela — mas também não é zero.
E os custos que não levam factura
- A reimpressão. Mudas o prémio, sobes o preço do café, refazes o logótipo: o que sobrou da tiragem vai ao lixo. Foi para isto que serviu o desconto de quantidade.
- «Deixei o cartão em casa.» Ou carimbas um papel solto que nunca mais aparece, ou dás um segundo cartão — e a partir daí o cliente tem dois cartões a meio e nenhum vai chegar ao fim. Tu perdes dois cartões e ele perde a vontade.
- Os que se perdem. Não tenho número para te dar sobre isto e não vou inventar um. Tu tens: é o número de vezes por semana que alguém te diz que perdeu o cartão.
- O que nunca chegas a saber. Ao fim de um ano não sabes quantos cartões começaram, quantos chegaram ao fim, nem quem estava a duas casas do prémio e desistiu. Este não custa dinheiro — custa as decisões que tomaste às escuras.
E comparado com as plataformas pagas?
| Por ano | Quanto |
|---|---|
| A plataforma de fidelização mais cara que encontrei | cerca de 650 € |
| Cartão de papel, pela conta acima | cerca de 60 € em cartões, mais as reimpressões |
| Carimbo Digital | 0 € |
Preço público de uma das maiores plataformas de fidelização em Portugal, para um só estabelecimento, consultado em setembro de 2026. Cerca de 650 € por ano.
E agora a parte que não é confortável de escrever: o papel não é caro. Sessenta euros por ano é barato para o que faz, e quem te disser o contrário está a vender-te alguma coisa. O papel é só mais caro do que parece — e é mudo.
Quatro casos em que o papel ganha.
A conta lá de cima foi feita por quem faz a alternativa. Estes quatro parágrafos são a mesma mão, a dizer onde é que a alternativa não serve.
Clientes sem smartphone
O cartão digital vive num telemóvel com câmara e browser. Se a tua clientela é de café ao balcão às sete da manhã, há gente que não tem smartphone e não vai ter — e para essa o papel não tem substituto. O que se pode fazer é ter os dois ao mesmo tempo: não se estorvam.
Quando a ligação vai abaixo
O código do cliente é calculado no telemóvel dele e aparece sem rede nenhuma. Mas o carimbo tem de chegar ao servidor para ficar escrito: se a tua ligação falhar, o ecrã do balcão abre à mesma e o carimbo fica por dar. Um carimbo de tinta não tem essa fraqueza.
Se precisas de começar hoje
O Carimbo Digital está a abrir devagar, por convite: fundar um balcão exige um código, e sou eu que o mando. Um carimbo compra-se esta tarde e está a carimbar amanhã de manhã. Se a tua campanha começa na segunda-feira, o papel começa contigo.
A tua lista, quando saíres
A caixa de cartões atrás do balcão é tua e não depende de ninguém. No Carimbo Digital, hoje, não há exportação da lista de clientes para o negócio: vês tudo no ecrã, mas não levas um ficheiro contigo. É uma falta, é minha, e está escrita aqui em vez de estar escondida.
E há uma quinta, que é a mais honesta de todas: o papel não depende de mim. Isto é feito por uma pessoa. O carimbo que compraste continua a carimbar daqui a dez anos, esteja eu onde estiver.
E se quiseres experimentar sem papel.
O Carimbo Digital é o mesmo cartão, sem o cartão. O cliente mostra um código no telemóvel, tu apontas a câmara do teu, e o carimbo aparece nos dois. Isto é o que faz — escrito curto, e sem nada por baixo:
- O código do cliente muda a cada 15 segundos e cada um só serve uma vez. Uma fotografia tirada há um minuto não vale carimbo nenhum.
- É um código por pessoa, não por loja. O balcão é que sabe qual é o cartão a carimbar.
- Quando a câmara não lê — e às vezes não lê — o cliente diz-te seis caracteres e tu escreves. Esse alfabeto não tem 0 nem O, não tem 1 nem I, não tem 5 nem S e não tem 8 nem B — os quatro pares que se confundem foram tirados de propósito, precisamente porque estes caracteres são ditos em voz alta, de um lado do balcão para o outro.
- Se te enganares, tens dois minutos para anular.
- O mesmo cartão não leva mais de quatro carimbos no mesmo dia. E o cartão com que o negócio começa traz ainda uma hora de intervalo entre dois carimbos do mesmo cliente.
- Os prémios não caducam. Ficam por levantar até tu os entregares.
- O cartaz para o balcão é uma folha A4 que sai do próprio balcão, com o teu nome, o teu prémio e um código QR desenhado ali mesmo — não pede nada a servidor nenhum para se montar.
- Cada negócio pode ter até 12 cartões diferentes, de 2 a 30 casas cada.
- O cliente pode guardar o cartão na Apple Wallet ou na Carteira do Google, desde que tenhas carregado o logótipo.
- Não passa por loja de aplicações nenhuma, não tem mensalidade e não pede cartão de crédito — nem agora nem depois.
E é por convite: escreves-me a dizer que negócio tens e onde, e respondo eu próprio.
O que costumam perguntar sobre o cartão de papel.
Quantas casas deve ter o cartão?
Dez é o que quase toda a gente usa e é um bom ponto de partida. A regra para saber se acertaste não está no cartão, está na caixa: se ninguém chega ao fim, o prémio está longe de mais; se chegam todos na primeira semana, está perto de mais.
A diferença entre os dois mundos é o custo de mudar de ideias. No papel, mudar o número de casas é mandar imprimir tudo outra vez. No Carimbo Digital escolhes entre 2 e 30 casas e mudas quando quiseres.
Posso ter o papel e o digital ao mesmo tempo?
Podes, e durante uns meses é o que faz sentido. Quem tem o cartão de papel a meio acaba-o; quem chega de novo leva o digital. Não há nada a sincronizar entre os dois — são dois cartões e cada um conta o seu. E se alguém não tiver smartphone, continua no papel sem ficar de fora de nada.
O cartão tem de ter data de validade?
Não sou advogado e esta não é uma resposta jurídica — se o teu prémio for uma promoção com regras, confirma-as com quem te faz a contabilidade.
O que te posso dizer é o que acontece ao balcão: se imprimires uma validade, vais ter de a defender à frente de alguém que veio de propósito. Se não tens vontade de fazer isso, não a imprimas. No Carimbo Digital não há prazo nenhum — nem os carimbos nem os prémios caducam.
E se alguém carimbar o cartão em casa?
Com tinta é possível. Os carimbos de fidelização vendem-se em lojas abertas a toda a gente, e nada impede que alguém compre um parecido. Não é comum, mas acontece — e a única defesa do papel é olhares para o carimbo com atenção.
No digital o problema muda de forma: o código é assinado, muda a cada 15 segundos e só serve uma vez, por isso copiá-lo não leva a lado nenhum.
Faz a conta com os teus números.
Se te der menos do que o digital, fica com o papel — a sério. Se te der o que me deu a mim, a página para negócios tem o resto: o que é, o que não é, e porque é que é grátis.