Do outro lado disto
está uma pessoa.
Chamo-me Renato Lima Valente, sou programador e vivo em São João da Madeira. Escrevi o Carimbo Digital sozinho: o site, a app dos cartões, o balcão e o servidor. Quando escreves, sou eu que leio.
Não há empresa, não há equipa e não há departamento de apoio. Nos termos, o serviço aparece prestado por uma pessoa singular, com nome e contribuinte — porque a lei obriga.
Porque ninguém o fazia de graça.
Antes de escrever uma linha fui ver quem já fazia isto: sete plataformas de fidelização a servir Portugal. Uma tem plano gratuito, preso a um cartão e a um estabelecimento. Nas outras, um café assina antes de saber se aquilo lhe serve.
Uma das maiores cobra 49,95 € por cada quatro semanas, e por estabelecimento. Um café em Ovar não paga isso para carimbar cartões — mas experimenta uma coisa que não custa nada e abre no telemóvel que já tem no bolso. É esse o buraco.
Preço público de uma das maiores plataformas de fidelização em Portugal, para um só estabelecimento, consultado em setembro de 2026. Cerca de 650 € por ano.
Neste momento há um negócio a usar isto todos os dias. É um só — e é melhor dizê-lo do que fingir que são cem.
Corre a zero euros por mês.
E não é figura de estilo.
É uma pergunta justa: se tu não pagas nada, alguém há-de pagar. Estou eu — e é menos do que parece.
A máquina: 0 €
O site vive no GitHub Pages e o servidor é um Worker da Cloudflare contra uma base de dados na Europa Ocidental. Cabem nos planos gratuitos com folga: o tecto são 100 000 pedidos por dia — uns 30 000 carimbos.
O domínio: uma vez por ano
O carimbodigital.pt paga-se uma vez por ano, e sou eu que o pago. A caixa de correio que envia os códigos de entrada vem lá dentro.
A Apple: 99 € por ano
Um cartão só entra na Apple Wallet se o passe for assinado por uma conta paga do programa de programadores da Apple: 99 € por ano, o maior dos três.
Se isto sair dos planos gratuitos, o degrau seguinte da Cloudflare custa 5 dólares por mês. Não há publicidade, não há venda de dados e não há ninguém a quem devolver dinheiro — é por isso que digo «grátis» sem asterisco.
E se eu deixar de poder manter isto?
É a pergunta a que nenhuma plataforma paga responde.
O código está todo à vista
O repositório é público, e é pequeno de propósito: um servidor contra uma base SQLite. Mas fica a saber isto: ainda não tem licença, e sem licença ninguém lhe pode legalmente pegar e pô-lo a correr. É uma decisão que ainda não tomei, não um esquecimento.
Levar a tua lista: ainda não dá
Hoje não há forma de descarregares do balcão a lista dos teus clientes. Ainda não dá, e é a próxima coisa que vou fazer — prefiro dizê-lo do que prometer um botão que não existe. Do lado do cliente já dá: é o artigo 20.º do RGPD.
Duas coisas não dependem de eu andar por cá, porque estão nos termos: o programa de fidelização é teu e não meu, e o cartão de quem usa isto como cliente será sempre gratuito.
Escreves, e respondo eu.
Não há formulário de dez campos, não há número de processo e não há robô do outro lado. Não prometo resposta em cinco minutos — sou um só, e às vezes estou a dormir. Prometo que a resposta é minha.